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:: 01/09/2013 | Economia

O pontapé da diversificação serrana

O pontapé da diversificação serrana

Texto:

Serra Catarinense, 02/09/2013, Correio Lageano, por Núbia Garcia

 

 



A instalação da então fábrica da Brahma em Lages foi uma novela que se arrastou da segunda metade dos anos 1980 a primeira dos anos 1990. Superados os percalços, que municiaram céticos sobre o empreendimento, a cervejaria desbancou o setor madeireiro e se tornou a maior arrecadadora de ICMS de Lages, respondendo por um terço da arrecadação. A fábrica na Serra é a sexta maior da companhia.

 

 

 

Este case dá sequência à reportagem iniciada na edição do fim de semana pelo CL sobre a diversificação da economia lageana após o baque sofrido pelas madeireiras.

 

 

 


Hoje, a fábrica tem capacidade para produzir 6 milhões de hectolitros (um hectolitro equivale a 100 litros) de cerveja por ano e emprega 480 pessoas. Em 1994, na inauguração, a produção era de três milhões de hectolitros e havia 190 empregados. A fábrica passou por duas ampliações, e em julho deu a largada para a terceira. Investirá R$ 140 milhões e passará a contar com uma linha de garrafas retornáveis de 300 ml e irá gerar 100 novas vagas.

 

 


Além da Ambev ter contribuído decisivamente para a diversificação da indústria de Lages, ela abriu uma perspectiva maior na geração de empregos. Estudo da Fundação Getulio Vargas constata que, para cada emprego direto gerado na indústria de bebidas, 46 postos de trabalhos são criados na cadeia produtiva (desde os produtores de cevada aos transportadores do produto).

 

 


Cadeia

 

 

 

Estes são chamados empregos induzidos e a Ambev é uma das indústrias que mais gera este tipo de desdobramento em cadeia. A fábrica também impulsionou a qualificação da mão de obra na região.

 

 


O gerente fabril da Ambev, Valdecir Duarte, é a personificação de uma informação estatística. Ele é lageano e entrou na companhia em 1998. “Quando entrei, um grande problema da cidade era preencher os cargos de gerência e superiores, que não eram ocupados por lageanos. Hoje, cerca de 30% a 35% dos cargos de gerência são ocupados por pessoas da nossa região”, comenta.

 

 


Ele acredita que esta demanda foi atendida principalmente a partir da implementação dos cursos de engenharia em Lages. “O lageano não precisa sair da cidade para estudar e pode continuar aqui para trabalhar”, avalia.

 

 

 

Produção

 

 

Ambev em Lages produz as cervejas Brahma, Skol, Skol 360º, Antarctica, Antarctica Sub Zero, Bohemia, Original, Malzebier e Polar. A produção abastece os três estados do Sul do Brasil.

 

 

Linha do tempo

 

 

  •  1985 - Intenções para instalação da empresa Brahma
  •  1994 - Inauguração da fábrica
  •  2002 - Ampliação com instalação da linha long neck
  •  2006 - Nova ampliação com a linha de latas
  •  2013/2014 - Nova ampliação para linha de retornáveis

 

 

Virada ainda distante, mas é o caminho

 

 

O encolhimento do setor madeireiro na região afetou as finanças dos municípios. Por outro lado, forçou que Lages buscasse alternativas, que não ficasse tão dependente de apenas um setor.

 

 

 

A Serra continua puxando para baixo os indicadores econômicos de Santa Catarina, e uma virada ainda está distante. Porém, passa pela diversificação. O presidente da Associação Empresarial de Lages (Acil), Luiz Spuldaro, chama a atenção para uma peculiaridade no município. Se por um lado, o crescimento econômico de Lages é apenas mediano, quando há uma crise externa, o município não sofre tanto quanto outros. “Esta é uma peculiaridade interessante, não tem mais um propulsor da economia, mas temos um mix interessante”, comenta Luiz Spuldaro.

 

 

 

Houve pouca mobilidade nos empregos, segundo pesquisa

 

 

A diversificação econômica ainda se reflete pouco na empregabilidade. Até se registra redução de trabalhadores no campo e um aumento significativo na construção civil, mas nada mais muito relevante.

 

 

Pesquisa do economista Luiz Carlos Pfleger, que se baseou no período entre 1995 e 2010, constata esta pouca mobilidade. “Houve crescimento da população empregada, mas não uma mudança muito grande na estrutura produtiva”, avalia.

 


 

 

Pfleger entende que Lages tem excelentes indústrias, mas poucas se instalaram no município na década e meia pesquisada. “Continuamos uma cidade de poucas indústrias. Não houve uma mudança na infraestrutura. O que mais se desenvolveu foram empresas comerciais de serviços.” Ele acredita que, para uma mudança econômica, é preciso que sejam criadas políticas voltadas para a promoção, criação e desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas. “Se isso não acontecer, continuaremos por mais alguns anos sem mudança na configuração do emprego”, completa.

 

 

 

Até o início dos anos 1990, a força da economia lageana estava no setor madeireiro. Nessa época, o setor metalmecânico estava em desenvolvimento. “Este último avançou muito pouco nos últimos anos, mas se manteve”, comenta Pfleger.

 

 


Crises

 

 

O setor madeireiro declinou em virtude das crises internacionais, culminando com o fechamento de empresas serranas a partir de 2000. “É um setor que depende muito das políticas nacionais. Apesar de muitas pessoas dizerem que a nossa vocação é a madeireira, nossa produção hoje é muito pequena. Ainda produzimos muita matéria-prima, mas não produtos com valor agregado, e isso influencia diretamente na geração de empregos e de riqueza”, avalia.

 

 

 

Empregabilidade por setor

 

Evolução da estrutura de emprego em Lages

  • Setor    1995    2010

Agropecuária    9%    8,16%
Indústria    28%    29,16%
Indústria de transformação    18%    15,63%
Construção Civil    7,86%    11,33%
Outras atividades industriais    2,14%    2,2%
Comércio    21%    21,39%

  • Serviços    42%    41,29%
  • Transportes/Comunicação    6,02%    6,87%
  • Serviços aux. de atividade econ.    2,72%    2,9%
  • Serviços de reparação    19,22%    20,8%
  • Serviços sociais    7,02%    7,05%
  • Administração pública    4,9%    5,61%
  • Outras atividades econômicas    2,12%    2,15%
  • Pessoas trabalhando    1995    2010
  • População ocupada    41.250    55.535

 

 

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Foto: Núbia Garcia

    • O pontapé da diversificação serrana
      Luiz Pfleger, o autor do estudo
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