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:: Festa do Pinhão 2013 > Sapecada da Canção Nativa


21ª Sapecada da Canção Nativa

21ª Sapecada da Canção Nativa Final

A Sapecada da Canção Nativa e a Sapecada da Serra Catarinense são festivais de música nativistas que fazem parte da programação da Festa Nacional do Pinhão. Eles buscam preservar as raízes culturais, divulgando a história e os costumes da região e fazer um intercâmbio com artistas do estado e dos países do Mercosul.



É nestes pagos de costumes gauchescos embalado pelo frio do minuano ao pé do fogo de chão que, surgiu a Sapecada da Canção Nativa, evento pioneiro no gênero no Estado de Santa Catarina, que orgulha o povo serrano e catarinense. O nome Sapecada vem de um hábito típico da região serrana dos campos de Lages, é a forma mais primitiva de consumo do pinhão.
Sapecar o pinhão significa assar o pinhão numa fogueira feita com grimpas (galhos) do pinheiro. O pinhão é lançado ao fogo e retirado após a queima das grimpas quando já estará pronto para ser saboreado. O nome Sapecada foi dado ao festival para reforçar a lembrança deste hábito típico da região, entre aqueles que cultivam as tradições.



Sapecada da Canção Nativa Sapecada da Serra Catarinense

Festival/ Edição: 21ª da Canção Nativa
Dia 25 e 26 de Maio/ 2013

  • música

    AIRUMÃ - Letra de Adriano Silva Alves, música de Marcelo Oliveira e André Teixeira

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    AIRUMÃ
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Adriano Silva Alves
    Música: Marcelo Oliveira e André Teixeira
    Cidade: Dom Pedrito, Gravataí e São Gabriel - RS

    Dorme em teu rosto um encanto
    Das noites que vivem em ti;
    Segredos de alma morena
    Olhos do céu, Guarany...

    Lágrimas puras pelo orvalho
    Que se derramam inteiras;
    Na forma das madrugadas
    Que abrigam sonhos de estrelas

    Que se repetem em suas horas,
    Em alvas peles vestidas;
    Sopro de luz, solitários,
    Clareando escuros na vida

    Dorme em teu rosto um encanto
    Antes dos véus das manhãs;
    D’alva de um céu Guarany,
    Que a voz batiza "Airumã"

    Índia saudade morena
    Que às vezes chora sua cor
    Ilusões de mato e sanga
    Aroma de campo e flor

    Que antes das luas inteiras
    Dessas de forma prateada;
    Vem só, olhar-se vaidosa,
    No espelho de alguma aguada

    Onde se vê noutro encanto,
    Na vida, de antes daqui;
    Airumã, pequena D’alva
    Estrela de um Guarany

    Irumã do Guarany Estrela D’alva
  • música

    CHACARERO Y BOLEADOR - Letra de Rogério Villagran, música de Kiko Goulart

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    CHACARERO Y BOLEADOR
    Ritmo: Chacarera
    Letra: Rogério Villagran
    Música: Kiko Goulart
    Cidade: São Gabriel e Lages - SC

    Sou cantor de chacareiras
    Em noites enluaradas
    Onde estendo boleadeiras
    Em coplas de rimas alçada...

    Me agrada ser que potreia
    Em tardes de correrias
    Com a alma de quem boleia
    No corpo das "Três Marias"

    O vento espalha e carrega
    O mundo escuta o retumbo
    Quando vibram nas macegas
    Rumor de patas e bumbos

    Porque assim sou gaiteiro
    Porque assim sou potreador
    Boleador e chacareiro
    Chacareiro e boleador

    Em cada ramal da soga
    Qual afinada de ouvido
    Hay um silvido de joga
    Em cada acorde torcido

    La manija y duas tontas
    Com seus retovos pra guerra
    Onde o boleado é quem conta
    Que atacado caiu por terra...

    Por isso minha encordada
    Em noites de lua inteira
    Se requinta de potreadas
    E coplitas boleadeiras

    Porque assim sou guitarreiro
    Por que assim sou potreador
    Boleador y chacareiro
    Chacareiro e boleador
  • música

    DALVA NEGRA - Letra de Rafael Teixeira Chiapetta, música de Marcelo Oliveira

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    DALVA NEGRA
    Ritmo: Toada
    Letra: Rafael Teixeira Chiapetta
    Música: Marcelo Oliveira
    Cidade: Cachoeira do Sul e Gravataí - RS

    Negra linda como a noite
    Que se estende na planura
    Pele macia de negra
    Cor de pitanga madura

    Só eu que sei o teu nome
    Nunca contei a ninguém
    Quem tanto quis descobrir
    Pois não valia um vintém

    Mas que florão de donzela
    Flor bela deste rincão
    Que inspira os brotos da alma
    Nas cordas do meu violão

    Negra dos meus encantos
    Cantos que canto pra ti
    Em todas outras por Dalva
    Mais bela que nunca vi

    Prenda que és linda por negra
    Pitanga doce num beijo
    Que tem dois olhos picaços
    Templados de lunarejo

    Banhando esta flor de morena
    Na água corrente da sanga
    Minha alma toda se adoça
    Provando desta pitanga

    Quando solito no rancho
    Floreando o meu violão
    Te trago dentro do peito
    No tronco do meu coração

    Assim te vou descobrindo
    Em cada nota floreada
    Te vejo então Dalva negra
    Com raios de lua encantada
  • música

    DAS ROSETAS - Letra de Sergio Sodre, música de Andrigo Xavier

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    DAS ROSETAS
    Ritmo: Rasguido Doble
    Letra: Sergio Sodre
    Música: Andrigo Xavier
    Cidade: Santana do Livramento e Pelotas - RS

    A voz das rosetas renasce entre os vultos
    que moldam "siluetas" em frente aos braseiros
    já antes dos galos acordam a campanha
    e estendem seu eco ao costearem os arreios.

    Em cada espinho carregam a sina
    de assombrarem as baldas de algum redomão
    desenham os mapas dos próprios caminhos
    ao deixarem rastros no lombo do chão.

    E quando me alço e ajeito o corpo
    são minha confiança de um estribo ao outro
    firmando o garrão no primeiro corcovo
    provando a carne e o sangue do potro.

    No rito paciente de cada repasse;
    nas ânsias do potro de não "pegá jeito"
    talvez por mistério se afastam do couro
    pra terem na voz a razão do respeito.

    Porque a potrada que topa o palanque
    que em frente ao meu rancho sustenta minha vida
    depois de domada, desconhece puas
    e mesmo d’em pelo traz marcha batida.
  • música

    FLOREANDO - Letra de Felipe Valvete Corso, música de Diego Müller

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    FLOREANDO
    Ritmo: Chote
    Letra: Felipe Valvete Corso
    Música: Diego Müller
    Cidade: Canoas - RS

    Apertei o "senta-pêlo"
    E ralhei com a cachorrada
    Que o domingo convidava
    No rumo, que lá se expande...
    E a boeira escutava o assombro
    Deste meu chote campeiro
    Pra tentiá mais um floreio
    Com as "bugras" do Mato-grande!

    Atei a boca de uma rosilha gateada
    Que tem festa e carreirada na cancha do Seu Neri...
    Floreando as "rédea" me larguei, de trote largo
    Pra jogá os "pila" da canha num potro do Seu Ari!

    E na cruzada do Barretão prendi o grito
    Só por farra, e que é bonito um domingo no povoado...
    E do outro lado me gritou o Seco Loco
    Que seguia, o mesmo rumo, num bagualão colorado!

    Porteira aberta e o corredor pela frente
    Pra se achegar no balcão e afoga o peso da estrada...
    E o seu Petim, bolicheiro, já anunciava:
    - Tem pastel e rapadura pra entretê a gurizada!!!

    Carreira atada... parelheiros já na forma...
    De em pelo que é mais gaúcho, e anda ligeiro o tostado...
    E o Ponta-fina – corpo leviano – "joqueava"
    Raspando a ponta da tala na anca do cobiçado!

    Depois da farra tem baile nos Narigudo
    Onde os nêgo topetudo se fazem de burro guacho...
    Pois sabem bem que a bala come "froxa"
    Ou adoçando uma china, ou já costiando algum macho!

    De pouca prosa e meio curto dos "pila"
    Sigo nos rumos da vila com cheiro de "querozena"...
    E apeio – certo – num rancho, de fronte às "gringa"...
    ...Pra amanhecer já "garreado" nos braços de uma morena...!!!
  • música

    FOLE FLOREADO - Letra de Diego Müller e Rodrigo Bauer, música de Edilberto Bérgamo

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    FOLE FLOREADO
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Diego Müller e Rodrigo Bauer
    Música: Edilberto Bérgamo
    Cidade: Canoas, São Borja e São Gabriel - RS

    Eu trago um jardim florido no fole de minha cordeona...
    Cada rama com suas flores, cada flor com seu aroma...
    Pois quando eu abro esse fole rebrota a flor da emoção
    E começa a primavera, seja em qualquer estação!

    Tem cisma de jasmineiro, senão de lírio e roseira
    Traz o sotaque costeiro que há na flor da corticeira...
    Algo de saudade crua, que brota cores na imagem...
    E um beija-flor – no costado – namorador da paisagem!

    Fole floreado floreando, lembra o olhar de sinuelo
    Daquela que foi embora com uma rosa no cabelo...
    Sua ausência ainda me fere... um rio nos olhos revela!
    - No fole cerrego as flores que nunca entreguei pra ela!!!

    Eu trago um jardim florido – com panambis y esteros –
    Feito uma tela de chita, sobre el cuero verdulero!...
    Cada tecla uma flor branca... cada dedo um mainumby
    Sorvendo o mel embrujado que ela deixou por aqui!

    Tudo o que é feito de flores tem seus espinhos, porém...
    Nos dedos trago o perfume...e as cicatrizes também!...
    No fole dessa cordeona, mais que uma estampa floral
    Trago um olor musiqueiro brincando no temporal!

    Fole floreado floreando, lembra de quem não lhe quis...
    O amor, depois que floresce, às vezes perde o matiz!...
    Ela se foi sem floreios, nem se virou na cancela...
    - no fole carrego as flores que nunca entreguei pra ela!!!

    Panambi: Borboleta
    Mainumby: Beija-flor
  • música

    GENUÍNO - Letra de Adriano Alves, música de Jari Terres

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    GENUÍNO
    Rimo: Milonga
    Letra: Adriano Alves
    Música: Jari Terres
    Cidade: Dom Pedrito e São Gabriel - RS

    Genuíno homem tempo, tempo e homens peregrinos
    Um por saber dos outros rumos outro sem saber do destino
    Ao repisar velhos caminhos com olhos que lembram o campo
    E entre esperas e cimento, descobrem o triste pelo o olhar de tantos

    Genuíno verso claro, claro verso num poema
    Pelo papel vida e palavra, pela voz a alma condena
    Por reescrever na saudade as lidas páginas de um livro
    Que a muito amarela em silêncio, na gaveta esquecido

    Genuíno canto puro, puro canto por guitarra
    No idioma das madeiras, altar que em paz se agarra
    Na prece em pulsar no peito a imagem que outra fé traduz
    Unida em três braços solitários que a sombra revela igual à cruz

    Genuíno homem vida, vida e homem lado a lado
    Um busca rumos pro futuro, outro preso ao passado
    O novo pela pressa dos caminhos o próprio caminho não refaz
    Falsos passos que se apagam sem ver a poeira que ficou pra traz

    Genuíno tempo e homem puro verso genuíno
    Guitarra pela voz que a alma condena qual a cruz pra um peregrino
    Que busca os rumos pro futuro sem apagar no passado
    Os passos impressos no caminho vida e tempo, homem lado a lado
  • música

    IJIQUIQUÁ Y JUJUY - Letra e música de Rogério Ávila

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    IJIQUIQUÁ Y JUJUY
    Ritmo: Milonga
    Letra e Música: Rogério Ávila
    Cidade: Santana do Livramento - RS

    Lobuno oveiro...Ijiquiquá
    Descarnado, lombo curto
    E caborteiro de chegar.
    Lobuno oveiro...Ijiquiquá
    Cada vez que ato a rédea
    Da vontade de chorar...

    Mesmo assim sigo contente
    Tendo a flor maracujá
    E dois olhos que me espiam
    Quando tardo a chegar...
    E o cruzeiro, luz da pampa
    Que faz minh’alma voltar
    Junto ao sul com meu lobuno
    Meu oveiro Ijiquiquá!

    Jujuy Mi Pago...Oveiro está!
    Num lobuno patas brancas
    Matreiro de embuçalar.
    Jujuy Mi Pago...Oveiro está!
    Quando em vez por quase nada
    Já se prende a conversar!

    Mesmo assim sigo contente
    Tenho a flor maracujá
    E dois olhos que me espiam
    Quando tardo a chegar...
    E o cruzeiro, luz da pampa
    Que faz minh’alma voltar
    Junto ao sul com meus lobunos
    Jujuy Mi Pago y Yjiquiquá!
  • música

    MENINA, ESCUTA O TEU CANTOR - Letra de Sergio Carvalho Pereira, música de Juliano Gomes

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    MENINA, ESCUTA O TEU CANTOR
    Ritmo: Milonga
    Letra: Sergio Carvalho Pereira
    Música: Juliano Gomes
    Cidade: Rio Grande e Porto Alegre - RS

    Os versos que canto agora
    Cada qual fiz para ti
    No lombo do campo a fora
    Gado e saudade estendi
    Por longa e lenta a demora
    Meu verso te trouxe aqui

    Tu não sabes, mas eu te canto
    Em cada volta de estrada
    Por estes sem fins de campo
    Em cada frescor de aguada
    Te nome põe mais um tanto
    De lindeza às campereadas

    Geada, chuva e mormaço
    Nunca me abalaram a confiança
    Bagual sustento no braço
    Touro pesado na trança
    Mas, se me agarra o cansaço
    Me amparo é nas tuas lembranças

    Certa vez buscando um passo
    A um passo da solidão
    Achei meu gado sumido
    Nas brumas que cobrem o chão
    Vi teu corpo em corticeiras
    Molhado de serração

    De viver nestas campanhas
    Pouco carinho aprendi
    Te trago um corte de chita
    Frutinhas de ñangapiri
    Buquê de flores bagualas
    E ovinhos de juriti

    Trazer teus versos, não pude
    Ficaram no descampado
    Nalguma taipa de açude
    Nalgum parador de gado
    E o timbre de um cantor rude
    Anda no campo extraviado

    Memina, escuta a sanga
    O vento pela canhada
    Voz de arvoredos e pastos
    O atropelar d’uma eguada
    Ali terás teu cantor
    Versejando a ti, amada.
    (Ali cruzou teu cantor Versejando a ti, amada)
  • música

    MILONGA MADRINHA - Letra de Thiago Souza, música de Nelson Souza

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    MILONGA MADRINHA
    Ritmo: Milonga
    Letra: Thiago Souza
    Música: Nelson Souza
    Cidade: Uruguaiana e Bagé - RS

    É manso o compasso do cincerro
    Badalar que o passo encaminha,
    Esparrama claves pelo vento
    Num feitiço da madrinha.

    Mas se vão a toda disparada
    Levantam acordes na poeira,
    Formam orquestra na estrada
    Até cruzar a porteira.

    Vem na ponta, a milonga
    E o cincerro a milonguear!

    Vem na tropilha da madrinha
    Um Chamame tobiano negro,
    Rasguido zaino, um Tango baio,
    Quicumbi gateado oveiro.

    A Chacarera colorada
    Uma Vanera azulega,
    Valsa florão de gateada,
    Polca lobuna caborteira.

    Mangueira grande encordoada
    Onde a tropilha ressonga,
    Vão seguindo o cincerro
    No pescoço da Milonga.

    Milonga moura maestra
    Na pauta do nosso chão,
    Milonga, forma a tropilha
    No braço do meu violão.
  • música

    PELAS RUGAS - Letra de Fabrício Marques e Fábio Maciel, música de Raineri Spohr

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    PELAS RUGAS
    Ritmo: Toada
    Letra: Fabrício Marques e Fábio Maciel
    Música: Raineri Spohr
    Cidade: Pelotas e Dom Pedrito - RS

    O que apeia em pulperia,
    Percebe, já na chegada,
    Que o tempo cruzou de fato
    Bombeando a face judiada...
    Semblante rude, austero,
    Ouvindo sempre calado
    Miles de causos e feitos
    De quem golpeia, oitavado...

    Tez morena já curtida
    Por andar lejos do sol
    Feito quem boleia a perna
    Junto às luzes do arrebol
    Pra beber a tarde calma
    Que escorre pelo gargalo
    E desencilha serena
    Enquanto põe-se a escutá-lo!

    Ritual que perfila a noite
    Em cada trança colgada
    Pondo na forma a tropilha
    Embora, há muito encilhada...
    ... Sabe da vida e de todos
    Mas, por vaqueano não fala
    Aprende mais quem escuta!
    Ouve melhor quem se cala!

    Eterniza em cada marca
    Que a ferro e fogo se veio
    Cicatrizes e lembranças
    De algum bochincho mais feio
    Já que olvidar não consegue
    Silente, segue aprendendo
    Sem pretensões de ser "Fierro"
    Pra ter memória, esquecendo!

    Vai-se o tempo pelas rugas
    No seu feitio de madeira...
    Sem fazer causo da morte
    É a própria alma pulpera
    Altar sagrado dos causos
    Onde a vivência se topa
    E em ti debruça a história
    Meu velho balcão de copa!
  • música

    RAZÕES DE MIM - Letra de Gujo Teixeira, música de Luciano Maia

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    RAZÕES DE MIM
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Gujo Teixeira
    Música: Luciano Maia
    Cidade: Lavras do Sul e Porto Alegre - RS

    Eu trago a bombacha puída de tempo e espinhos
    e as botas marcadas pra sempre, do suor dos cavalos
    no meu aba-larga, a poeira, de antigos caminhos
    e o meu tirador, conta os riscos de golpes e pealos.

    Eu tenho as mãos calejadas, de rédeas e cernos
    e as pernas cambotas moldadas ao corpo do basto
    a pele curtida das tardes, de guapos invernos
    e os olhos de um brilho tamanho, embora já gasto.

    Eu trago na alma uma gana, que topa de "fronte"
    e no coração as saudades que sempre guardei
    no meu pensamento miradas de mil horizontes
    lembranças de um tempo passado, que nunca passei.

    Eu tenho na voz um aboio de largas tropeadas
    que ouço ainda de longe, um chamado de: -Venha !
    Eu provo hoje gosto de um mate, com água jujada
    benzendo um assado que pinga na brasa da lenha.

    Eu trago da terra lições que ninguém mais ensina
    do vento conheço os segredos que não vai contar
    no fogo ainda queimo verdades, por quem não opina
    que nem o aguaceiro mais forte, consegue apagar.

    Por isso, que vivo na alma, e no corpo me vejo
    pilchado de campo e genuíno, qual nobre elemento.
    Aguço os sentidos que tenho, tal qual meu desejo
    pois sei da razão que me dá, e me tira o sustento...
  • música

    SANTA FÉ LAGUNA - Letra de Gujo Teixeira, música de Jari Terres

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    SANTA FÉ LAGUNA
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Gujo Teixeira
    Música: Jari Terres
    Cidade: Lavras do Sul e São Gabriel - RS

    Santa Fé Laguna, sentimento nobre, sinto em teu silêncio
    Arvoredo manso, e um angico velho, despontando a copa
    Caserio de pedra, quinchado do campo, que te deu o nome
    E um galpão ao lado, mangueira que antes, foi pouso de tropa...

    Santa Fé Laguna, memorial do tempo, campanário em prece
    Das noites escuras, que busquei estrelas, no teu céu, em vão
    Pra provar meus sonhos, de moço fronteiro, cheio de saudade
    De dois olhos negros, que se escondiam, em tua imensidão

    Santa Fé Laguna, tens ainda doce, nas tuas laranjeiras
    Que provaram um tempo, de tantas mudanças, que vive em ti...
    Hoje me transporto, vendo um pingo baio, escarceando à sombra
    E encho meus olhos, com cristal da sanga, que me viu guri.

    Santa Fé Laguna, coração do pago, alma de fronteira
    Querência que um dia, viu meu horizonte, se perder no más...
    Eu quis ser estrada, e um dia teus ventos, sopram no rumo
    E eu cruzei o passo, de pingo encilhado, sem olhar pra trás.

    Santa Fé Laguna, ando ensimesmado, buscando um luzeiro
    Que avistei de longe, chegando nas casas, voltando do povo
    Quem sabe foi essa luz, a luz do caminho, que me trouxe agora
    Eu sei que é tarde, mas volto aos teus olhos, pra me ver de novo...

    Santa Fé Laguna, ainda te escuto, na voz da cordeona
    Que suspira valsas, polcas e guarânias, por não te esquecer...
    Lembro um moço guapo, que queria tanto, ser feliz de fato
    Que deixou-te um dia, não levando nada, mas conseguiu ser!!
  • música

    SUJA CAMPO - Letra de Felipe Calvete Corso e Rafael Ferreira, música de Rafael Ferreira

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    SUJA CAMPO
    Ritmo: Chamarra
    Letra: Felipe Calvete Corso e Rafael Ferreira
    Música: Rafael Ferreira
    Cidade: Canoas e Vacaria - RS

    Bronzeada tarde de março
    Figurando entre o pasto
    Um mormaço de verão
    Lá estava indesejado
    Um ser de braço espinhado
    Com a força no pendão

    É inço em semblante feio
    Ninguém quer cruzar no meio
    Pois nas pontas se defende
    É peleador com seu jeito
    Se não lhe cortam direito
    Ele brota novamente

    O chamam de suja campo
    Mas mostra o seu leve encanto
    Num ladeirão de invernada
    Mesmo com o corpo espinhento
    Traz a beleza no centro
    Em suas flores bem coradas

    Tem ares de ser discreto
    Mas ninguém o quer ter perto
    Por ser aquilo que é
    Só o sangue frio da cruzera
    O faz de casa e ninhera
    Igualmente ao jacaré

    Morre co’a terra bolcada
    Na precisão da inchada
    Que lhe cortou sem "sangrá"
    Com o talho no pendão
    Vai findar seco no chão
    O sujo caraguatá

    Suja campo – Nome popularmente usado a planta Caraguatá
  • música

    SUREÑO - Letra de Sergio Carvalho Pereira, música de Aluisio Rockembach

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    SUREÑO
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Sergio Carvalho Pereira
    Música: Aluisio Rockembach
    Cidade: Rio Grande e Pelotas - RS

    Eu ouço a sanga da aguada
    Cantando para o potreiro
    E o humilde guitarreiro
    Batendo corda cansada
    Escuto o cair da geada
    Enquanto canta a bastera
    Ouço o ranger da porteira
    Princípio e final de estrada

    Gritos de parar rodeio
    Assovios de recorrida
    Eu ouço o mascar do freio
    Porque eu nasci desta lida
    Voz de pai trabalhador
    Que de mim nunca se foi
    Na reza do amansador
    Chamando o nome do boi

    Silêncio trago da ronda
    Da marcha trago o compasso
    Graves de antigas milongas
    Agudos timbres de aço
    Os soluços das cacimbas
    o assovios das perdizes
    eu ouço um rio de águas limpas
    Beijando ramas e raízes

    Herdeiro das vibrações
    Prenhadas pelo silêncio
    Trago essa caixa de sons
    Minha riqueza do avesso
    Na bruta transformação
    De ouvir mais do que conheço
    De andar tão longe do chão
    E tão perto do começo

    Eu vim de um mundo de sons
    E cantares tão bonitos
    Onde a cada vibração
    Vira canção no infinito
    Do berro, trote e tirão
    De causos, rezas e ritos
    Conheci a voz do meu chão
    Que é tudo o que acredito
  • música

    UM ACORDEÓN Y UN SOMBRERO - Letra de Martin Cesar Gonçalves, música de Aluisio Rockembach

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    UM ACORDEÓN Y UN SOMBRERO
    Ritmo: Chamamé
    Letra: Martin Cesar Gonçalves
    Música: Aluisio Rockembach
    Cidade: Pelotas - RS

    Llegó uma mañana de muy lejos
    Em su acordeón tría viejas melodias
    Uma voz de vino que hablaba de outro tempo
    Y mil canciones tan sencillas como el dia

    Anduvo por las calles de uma gran ciudad
    Quizás buscando algo más que um sureño
    Golpeó puertas, endureció sus alpargatas
    Añorando las tardes calmas de su Pueblo

    Pensó em volver
    Y mirarse outra vez
    Em los ojos de su gente

    Pensó em volver
    Y decir que aún distante
    Su alma jamás estuvo ausente

    Pero era tarde
    Para el passado no hay rumbos
    Ni caminhos

    Y envejeció
    Chamameceando por las calles
    Su destino

    Hoy em la plaza um sombrero boca arriba
    Junta monedas para quien juntaba sueños
    La gente passa y ni siquiera mira al hombre
    Que acordeonando llena el aire de recuerdos
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